Blog de divulgação científica com ênfase em ecologia

•08/11/2009 • Deixe um comentário

Deixo aqui aos navegantes uma dica de blog onde se encontra uma seção para downloads de obras acadêmicas, artigos científicos, literatura clássica e até alguns HQs deveras interessantes.

http://bafanaciencia.blog.br/

No HD virtual do bafana ciência os arquivos estão em formatos acessíveis (pdf e doc), todos totalmente baixáveis gratuitamente. Ainda existe um tópico com links para bibliotecas virtuais onde também pode-se fazer download das obras gratuitamente (gigapedia, scribd etc.) neste link  http://bafanaciencia.blog.br/bafana-divulga/divulgacao-cientifica/livros-disponiveis-para-download.

Obviamente que muitos livros essenciais e sensacionais estão em inglês, mas creio que os navegantes os baixem de maneira a estimular o aprendizado deste necessário idioma.

Boa leitura

Da Série: Manuais para Navegação em Iapetus

•06/11/2009 • 1 Comentário

Começo hoje uma série que só poderá ser realizada com a participação de todos. Nela os navegantes indicarão livros obrigatórios para aqueles com o espírito e desejo de conseguir navegar por qualquer oceano. Esta série tentará trazer apenas os livros mais criteriosamente filtrados pelos navegantes, com obras que são ao mesmo tempo acessíveis ao público leigo e de sagacidade incrível,  conseguindo se aprofundar no necessário de cada área.

Coloco  hoje duas sugestões, embora uma já tenha sido comentada por aqui.

Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso

No livro o autor Jared Diamond, com impressionante análises interdisciplinares, estuda os fatores e as respostas sociais que levam ou não uma sociedade colapsar, para um navegante muito atarefado talvez não seja necessário a leitura de todos os capítulos, para mais informações sobre a obra vejam o que já foi publicado sobre ela nesses 3 posts (1 , 2, 3).

34978_985A ferro e fogo: A História e a devastação da Mata Atlântica brasileira

Livro de Warren Dean, um dos grandes nomes no ramo da “História Ambiental”, que por sua vez é a disciplina que estuda o histórico de ocupação e utilização do meio ambiente pelo homem.

Na obra o autor nos reconta boa parte da História brasileira colocando a variável ambiental na mesma, o que, de forma absurda, não é feito nas escolas! O livro da ênfase no processo de ocupação do território, utilização dos recursos naturais, desenvolvimento da cultura nacional e a relação com a mata.

Como o livro foi escrito em 1990, e seu brilhante autor já faleceu, a obra se encontra desatualizada em certas áreas, mas tal desatualização se torna irrelevante perante o tamanho de sua abrangência.

Além de fazer com que o leitor entenda porque as coisas no Brasil hoje são como são, o livro é importantíssimo ao navegante que busca desenvolver a questão de identidade nacional, seja por razões filosóficas ou por questões práticas de aprender a se adequar ao território em que se encontra.

Elitização do Metrô

•27/10/2009 • Deixe um comentário

Antes de qualquer coisa, chamo a atenção ao fato que argumentação a seguir é apenas uma hipótese, jamais vi algum documento ou plano de metrô que corroborasse com ela, ne verdade, nunca vi ninguém falar sobre isso.

O Metrô na cidade de São Paulo sofre de um forte aumento no número de usuários, exatamente como todo o tipo de transporte nessa cidade, que hora ou outra vai colapsar, isso é, se ainda não podemos classificar a situação como já colapsada, vide tamanho o caos que se instá-la em dias de chuva.

A demanda do metrô sofreu um impacto impressionante com a chegada do bilhete único, e a partir desse momento, vários problemas de logística surgem, e situações inéditas passam a ser enfrentadas por seus funcionários, que se dobram em dois para que o transporte não pare.

Verdade seja dita, mesmo com todos os problemas, nosso metrô ainda é referência para muitas cidades do mundo, e é, de longe, o transporte público mais eficiente do país. Mas as pressões que recebem são grandes,mas  já é difícil organizar as que se tem, e a cidade cobra sua expansão o tempo todo.

Temos então uma situação muito complicada, pois diferentemente de outros transportes não há muito que se fazer no metrô, o possível aumento no número de trens é limitado, o aumento na velocidade dos mesmos também, e os passageiros só aumentam e aumentam.

Parece-me que a resposta encontrada foi a de elitizar esse transporte, mas a partir do que eu argumento isso? Bom, parto de algumas observações empíricas para tal. A principal é o aumento do preço das passagens. Não faz muitos anos que o preço do metrô era ilusório, R$1,00, 1,50, só que hoje estamos a R$2,55, e no final do ano estaremos a R$2,80, e no ano seguinte o aumento será ainda pior com a inauguração das novas estações. Acredito que a intenção do metrô seja, de forma gradual, elitizar o transporte para que uma faixa menor da população possa usufruí-lo em seu dia-a-dia.

Outro possível e provável argumento que será utilizado para o aumento dos preços será a modernização dos trens, agora com ar-condicionado, piso sofisticado, localização interativa, assentos especiais para obesos, portas maiores e sei lá mais o que. Além do já comum gasto irracional com luxos nas estações, como os pisos de granito (pra que…?).metro2

Claro que jamais deixaremos de encontrar todas as classes sociais nos vagões, mas a proporção de pessoas de renda baixa que usará o transporte todos os dias só tende a diminuir, sendo empurradas aos ônibus e trens, que com suas promoções de integração gratuita, e aumento de preço menor que o do metrô, tende a atrair um contingente cada vez maior.

Outro fator que parece vir a corroborar com minha hipótese é a localização das estações, principalmente das novas, observem que a grande maioria se dá em bairros nobres ou de classe média. E as novas linhas então, precisa dizer mais? Certamente elas não foram escolhidas por ter um fluxo potencial maior de usuários. Para os que não são da cidade explico que como em quase toda metrópole a maior parte da população aqui se encontra nas regiões periféricas, e o metrô expande-se principalmente para a região oeste da capital, aos bairros mais nobres.

Algumas estações já existentes, principalmente na linha vermelha, podem parecer contraditórias a uma idéia de elitizar o metrô, pois elas se encontram em regiões de baixa renda, mas num exercício de futurismo não podemos esquecer que a presença do metrô tende a valorizar e transformar a região, sendo sua presença e expansão um dos principais mecanismos de ordenação no território da cidade.

Concluo o texto com um ultimo argumento, o mais banal também, defendo que o metrô pretende se elitizar, pois essa é uma das poucas e mais plausíveis respostas que este pode oferecer aos seus problemas atuais, que só tendem a piorar por sinal.

METRÔ/PROBLEMAS/SP

Através da lente

•22/10/2009 • 1 Comentário

Nada se compara a ver o mundo por uma câmera. O maquinário que termina em lente proporciona uma nova janela direta aos olhos, permitindo que de uma vez mudemos as perspectivas das cenas cotidianas ou ainda nos permitimos captar os detalhes de um movimento e sim somente por colocarmos uma câmera em nosso rosto um novo mundo surge.
O estudo da fotografia é uma terapia de concentração, controle físico, raciocínio rápido e paciência; concordo com a importância de uma sensibilidade que até podemos considerar singular, mas a relação com a câmera, para alguns de amor, não basta beijos e carinhos, precisa-se passar um tempo ao seu lado.
Cartier-Bresson foi um fotógrafo que a partir da emoção de ver uma primeira fotografia batalhou que de sua relação com a câmera conseguisse captar um segundo a intensidade da vida de cada pessoa que cruzava seu passo. Suas fotografias revelam a emoção da cultura cotidiana, que de primeiro momento damos a ela o sinônimo de tédio, mas Bresson de o nome de arte.
A fotografia por focar sua vista permite uma concentração maior, pode-se dizer que a pintura também é um trabalho que exerce nossa percepção, porém com um pincel ainda mantemos nossa visão periférica e dependemos, na maioria dos casos de que o objeto se congele, e já não mais natural se torna, cria mesmo que inconscientemente uma aparência plástica.
Proponho com isso que peguem suas câmeras com filmes, agora já antigas e saiam sem pressa de bater fotos, somente para olhar através da lente e navegar entre aquela imagem que você pensa sempre ter visto aquele detalhe que você já considera banal, a cor dos postes que já se sabe de cor.
As fotos não guardam somente lembranças, guardam culturas, superações, estudos, sonhos e realizações; não pense que ela lhe mostrara a verdade, nunca foi sua proposta, mas te forçara a quebrar a visão dura e esgotada de todos os dias.
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Os 10 maiores problemas da humanidade em 2050

•21/10/2009 • Deixe um comentário

Alan MacDiarmid foi um grande químico neozelandês, ganhador do Nobel da área 2000 e falecido em 2007, considerado um gênio, mas um big gênio, por muitos (independentemente de ter ganho ou não o Nobel). E em 2005, numa palestra em São Carlos, SP, para a Embrapa, o químico apresentou o que considera que serão os 10 maiores problemas da humanidade em 2050. E os dados são esses:

Ano 2003: 6,3 bilhões de pessoas                                        
Ano 2050: 10 bilhões de pessoas
  • Alimentos (fome)
  • Energia
  • Água
  • Meio Ambiente
  • Pobreza
  • População
  • Doenças
  • Democracia
  • Educação
  • Terrorismos e Guerras

Bem…se o doutor realmente era um gênio eu não sei, mas sei que nessa listagem dos 10 principais problemas de 2050 ele nada mais fez do que colocar os 10 problemas principais de hoje e ontem.

Embora eu os tenha listado quero destacar que eles não estão em ordem, o químico não definiu qual seria o principal problema, mas considero uma ótima listagem e saliento o papel da agricultura (e futuramente da ciência) nas questões fundamentais do planeta.

Dos 10 problemas, considero que 6 apresentam ligação com a agricultura (os 6 primeiros da minha lista). Uns mais outros menos claro, mas 6 ligações, duvido muito que qualquer outra área, cíentifica principalmente, tenha tantas ligações (desconsidero a área ambiental, afinal essa engloba qualquer coisa).

Muito se fala que o problema da fome não é produtivo, mas sim de distribuição. Verdade, mas meia-verdade. Essa teoria se encaixa perfeitamente quando olhamos para o Brasil, mas certas regiões do globo apresentam dificuldades bem maiores de produção associados a falta de território e/ou baixo rendimento (vide caso extremo de Ruanda) ou que conseguem plantar poucas, ou nenhuma espécie vegetal. Pois bem, resolveríamos esses problemas com um melhor sistema de trocas de mercadorias no nível internacional, num sistema cada vez mais integrado e especializado, o que nos faz lembrar que não vivemos isolados. O Brasil deverá ser no futuro, ainda mais do que hoje, de extrema relevância na alimentação mundial. Então agora vejam o seguinte gráfico sobre o aumento da demanda mundial por alimentos (%) para 2020:

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Fonte: Rosegrant, Sombilla, Gerpacio y Ringler (1997)

Assustador não?

Podemos falar e discutir muito em cima desses dados, e espero que façamos isso, mas terminarei minha postagem aqui para destacar uma questão que infelizmente não é clara para um número considerálvel de pessoas.

O desenvolvimento agrícoloa não é um problema, é solução!

Claro que impacta, que forma oligarquias, etc e etc, mas a busca pelo desenvolvimento agrícola deve ter em vista o aumento da produtividade e mitigar ou quebrar suas consequências inerentes.

Arquitetura está em suas mãos.

•18/10/2009 • 2 Comentários

ola navegantes.
meu nome é Thais e fui convidada pelo guilherme, um grande amigo, a participar do blog. faço arquitetura e espero que possa complementar com este conhecimento que estou adquirindo e outros, nesse espaço cultivado por vocês.

Não tiro a importância da formação e estudo acadêmico da arquitetura, afinal o espaço construído tem o poder de integrar e desintegrar as pessoas. Mas cada individuo é também dono desse espaço e deve entender a importância do seu direito na intervenção do local.
Um arquiteto ou engenheiro tem o conhecimento das formulas de criação, o que não deve se manter em segredo. É seu trabalhado divulgá-lo para a sociedade e permitir que ela também coloque a mão na massa.
A capacidade de construir é o dom do ser humano e que sempre pode ser estimulado; a criatividade de superação de problemas nas moradias e espaços públicos em geral vem, não somente da brilhante mente de um estudioso, mas das pessoas que vivem o meio diariamente.
O maior dom de cada profissional é conseguir ouvir as necessidades do meio e assim permitir que este se construa, se reforme.
Não há como ficar esperando a ação dos outros, é imprescindível que cada mão, cada braço e cada mente faça um pouco por suas ruas.
E sim, há pessoas que querem, algumas, como eu, precisam de um estímulos de vez em quando para compreender a grandeza de largar o intelecto e pensar com as mãos.
Além disso, a capacidade do uso de novos materiais, materiais que de início não foram fabricados para funções construtivas é cada vez mais necessário.
Por fim, a grandeza de ver surgir entre suas mãos uma atitude, uma melhora do espaço é inigualável, ajudar seu meio favorece cada um de inúmeras maneiras, te faz crescer.

http://oasissaopaulo.ning.com/

este é o site do grupo que participei em um multirao hj. gostei muito e recomendo a quem quiser, pois mais que levar serviço ele leva força de vontade e como ela pode se tornar realidade.

A crise da percepção

•08/10/2009 • Deixe um comentário

O filme “Ponto de Mutação”, comentado no blog algumas semanas atrás pelo navegante Caio, trata, principalmente, da chamada “crise da percepção”. De como não há  poucos setores responsáveis nem formulas mágicas para os problemas ambientais, e nesse texto uso “ambiente” no seu sentido mais amplo, que envolve também o aspecto social (provavelmente aspecto mais importante por sinal), o filme argumenta então que os problemas são frutos de uma crise da perçepção, decorrente, principalmente de prioridades erradas.

Uma hipótese brilhante, defendida por muitos autores sociais importantes nos dias de hoje, mas da qual discordo.

Para afirmar que estamos numa crise da percepção não seria necessário que já houvesse existido uma fase de “correta percepção” no passado? A história é em boa parte um estudo de atrocidades e colapsos da humanidade. Não quero que me considerem pessimista, pois estou apenas tentando ser realista, o fato é que nunca houve uma percepção da realidade social e ambiental que não fossem em pequenos núcleos sociais ou segmentos muito (mas muito) restritos no passado e no presente, ou seja, o que estão chamando de “crise da percepção” nada mais é que a própria percepção que sempre tivemos, esta sempre evoluiu, acompanhando o complexo conceito de cultura, mas não houve nenhuma mudança abrupta de sua realidade para classificarmos o estado atual como de crise.

Muito bem, mas se não nego a conjuntura cheia de incertezas, de aflições e de perigos que vivemos e que meu argumento nada mais é que epistemológico, qual sua validade prática? Bom…para falar a verdade eu não sei ao certo, mas posso salientar algumas.

Achar que estamos numa crise da percepção gera dois pressupostos errados: o que já existiu uma resposta e o de que a percepção deverá ser a mesma para todos.

Dizer que há uma resposta aos problemas atuais remete ao fato de que se estamos em crise em algum momento não estivemos, que significa que se recuperarmos o que se perdeu acharemos a resposta ao problema da percepção, mas nada foi perdido, continuamos os mesmos, precisamos CRIAR uma resposta, e não recuperá-la.

O pressuposto de que a percepção deverá ser a mesma para todos parece totalmente plausível com a visão ético-democrática dos dias atuais, mas a verdade é que embora estejamos todos no mesmo planeta, um planeta integrado em suas diversas regiões, este apresenta ambientes tão distintos e complexos gerando pressões tão específicas aos que lá estão,  que acreditar que existe um novo modo de se viver que se encaixe a todos eles é pura ilusão. Essa idéia remete ao tal “mito do desenvolvimento”, pois o planeta simplesmente não é capaz de suportar que todos os países adotem padrões de vida desenvolvidos, como já dizia Celso Furtado.

Infelizmente, as políticas nacionais parecem ir de pleno acordo com estes enganos gerados pelo mito da crise da percepção, por exemplo, nas negociações internacionais o Brasil, seguindo o discurso desenvolvimentista de que a transferência de tecnologia seria o meio mais eficaz para reduzir as disparidades entre os países insdustrializados e os em desenvolvimento, deixa claro que esse é o principal requisito para adotar medidas pró-ambientais. Ou seja, queremos adotar métodos que já se provaram ineficazes para conter os impactos ao meio ambiente,mesmo sabendo que a disvinculação dos processos produtivos e a inadequação às suas condições ambientais (social e cultural principalmente) são causa e expressão do subdesenvolvimento. Ao exigir a tecnologia dos países do norte não priorizamos o fortalecimento de uma capcidade científica e tecnológica própria, destinada a incrementar o potencial ambiental e o aproveitamento endógeno de seus recursos naturais (Enrique Leff).

E lembrem-se, boa parte das empresas internacionais continuam impactando tanto ou mais que antes, o que mudou foi que agora elas tem mecanismos para mitigar isso, mecanismos estes normalmente realizados em países em desenvolvimento, como em um gigantesco país tropical da América do sul, detentor da maior diversidade biológica do planeta, que por sinal, adotando tecnologias “exóticas”, pretende mitigar seus danos aonde?

A difusão da cultura

•05/10/2009 • Deixe um comentário

A diversidade cultural decorre, essencialmente, de dois processos (simples, semanticamente falando, e complexo, complexamente falando): autóctone e difusão. Autóctone se refere às invenções que, “acidentamente”, ocorreram simultaneamente ao redor do globo, sem que tenha havido contato prévio entre sociedades criadoras (como agricultura, por exemplo). Difusão, por sua vez, a própria palavra define-se por si só; todavia, para os mais desavisados, isto significa que sistemas culturais foram incorporados ou “copiados” por quaisquer circunstâncias que não cabe aqui ficar divagando acerca dos motivos de tal fatalidade.

Vou colocar abaixo, para quem se interessa pelo assunto, um trecho extraído do livro Cultura: Um Conceito Antropológico (cujo autor se auto-denomina Roque de Barros Laraia), no qual toda essa contextualização do processo de difusão pode ser bem avaliado, considerando-se a influência cultural do passado no cotidiano do modo de vida americano (modo de vida este que contaminou a sociedade que se diz “globalizada” em tempos atuais). Vive la difusion.

“Numa época em que os norte-americanos viviam um grande desenvolvimento material e os seus sentimentos nacionalistas faziam crer que grande parte desse progresso era resultado de um esforço autóctone, o antropólogo Ralph Linton escreveu um admirável texto sobre o começo do dia do homem americano:

O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi desco-berto na China. Todos estes materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são una mistura de invenções européias e norte-americanas, mias e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito. 

 Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáti-cas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do século XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galo-chas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas. De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria-prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple, inventado pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de uma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no Norte da Europa.

Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradece rã a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano”.

 

Sobre carros elétricos e soluções mágicas.

•04/10/2009 • 1 Comentário

Quem aqui acha carros elétricos legais?

Carro elétrico é tudo de bom não é?

Imaginem as cidades com carros elétricos, sem poluição, quase sem barulho. Limpinho, cheio de luzinhas, tecnocool. Sem impacto no meio ambiente.

Sem impacto no meio ambiente?

Já pensamos nisso? de onde virá a energia que carregará as baterias de íon de Lítio, de onde virá o Lítio? de onde virá o plástico do qual esse carro é feito? de onde virá o Alumínio? o Cobre? O Aço?(Todos materiais que são altamente utlizados em motores elétricos e veículos leves)

Então vamos lá:

1. A Energia:

Aqui a palavra chave é eficiência/rendimento. A maior parte (entre 60 e 70%) da produção mundial de energia elétrica é basada em fontes não renováveis de carbono como gás(menos pior), óleo (ruim) e carvão (bem ruim), sendo o carvão a maior fonte individual. Vide gráfico abaixo:

Geração de Eletricidade por fonte

A eficiência média das usinas termoelétricas é de 40%. Podem chegar a 25% as perdas durante a transmissão. O rendimento das melhores baterias no geral já não é tão bom, de cada 100w que se gasta para carregá-las apenas 80%-90% são devolvidos na forma de energa útil. Os motores elétricos tem uma eficiência de em média 80% a 90%. Colocando se as perdas umas sobre as outras chega-se a um resultado na casa dos 20%. Sabem qual é a ficiência do famigerado motor à gasolina? 16%-20%. Sabe qual é o motor de combustão com a maior ficiência? O Diesel: 25-30% de eficiência. Em última análise é melhor rodar a diesel.

Sobre Baterias: http://veja.abril.com.br/070508/p_170.shtml

Mais sobre eficiência: http://carros.hsw.uol.com.br/celula-combustivel1.htm

2. O plástico:

Vem de petróleo. (ponto final) não me venham com esse papo de plásticos biodegradáveis ou polímeros de milho ou de celulose ou qualquer outra dessas coisas que só existem em laboratórios. Vem do petróleo assim como boa parte da borracha. Surpresa! e vocês imaginavam grandes plantações sustentáves de seringueiras…

3. O Lítio:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lítio#Abund.C3.A2ncia_e_obten.C3.A7.C3.A3o

É uma substância rara. Vocês sabem como são essas coisas raras, custam caro e as pessoas removem montanhas para obtê-las. Removem, movimentam, britam, moem, peneram, e finalmente descartam milhares de toneladas de rocha para se obter poucos quilos.

4 O Alumínio:

Vem da bauxita. Para produzir 1Kg de alumínio são precisos 5Kg de bauxita, que é um minério de distribuição lamelar e superficial na crosta. Basicamente falando é o resultado de milhões de anos de lixiviação do granito pelas chuvas, ou seja, ela fica bem embaixo de ótimos solos.

O rultado do refino da bauxita é uma lama vermelha conhecida como “red mud”, ou seja: Lama vermelha… grandes depósitos dessa lama se encontram junto de todas as grandes refinarias de bauxita do mundo em forma de grandes reservatórios. Nada demais, apenas um concentrado de ferro contamindo por NaOH. Ah, à propósito NaOH é a Soda Cáustica pra quem não entende muito de química. Vejam abaixo:
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(Dêem uma rolada nesse mapa para o noroeste que eu não consegui fazer o link centralizado. É facil achar as manchas vermelhas na tela)

Mais sobre Red Mud: http://www.redmud.org/Disposal.html

Além disso são necessários cerca de 20kw. Energia essa que vem através do mesmo sitema explicado acima.

5.  Cobre:

Vem do Chile. Algumas das maiores jazidas do mundo estão lá. O processo de refino e produção dos concentrados utiliza muitos produtos químicos e gera resíduos com altas cargas de químicos nocivos como HSO4. De novo não sabe o que é? Pois devia.

6. E, o Aço:

Essa é fácil, vem de Minas(!), ou da Austrália, direta ou indiretamente, já que o Brasil é o maior exportadors de minério de Ferro do mundo. Um dos melhores minérios de Ferro aliás.

Que tal um carro elétrico agora?

Qual a solução?

A solução é parar de achar que vai haver uma solução mágica e começar a trabalhar para mudar e melhorar TUDO o que está à nossa volta.

No próxmo post eu pretendo falar de água…

Arte e Conhecimento

•29/09/2009 • 3 Comentários

O padrão tradicional de escrita pede que para falar sobre ou fazer comparações, eu primeiro explique e defina os objetos que serão utilizados. Mas definir “arte” e “conhecimento”…tarefa ingrata. São dois conceitos já muito discutidos, com significados que variam de acordo com o contexto em que se encontram. Mas nesse texto não pretendo me ater ao significado exato que esses dois conceitos podem ter, prefiro que o próprio leitor decida e veja, se ainda assim, minha reflexão continua válida.

Se os navegantes buscam-se aventurar nos mais diversos oceanos, já devem ter reparado que todos eles apresentam traços em comum, e que de certa forma, mesmo alguém que decidiu se entranhar num único oceano, depende de certas bagagens que só podem ser conseguidas em outros mares.

Em um pequeno texto brilhante, que muito me inspirou (inclusive à este blog) e que há muito tempo já deveria ter sido compartilhado, Goethe trata sobre essa transdisciplinariedade obrigatória:

“Quem não está convencido de que todas as manifestações da essência humana, a sensibilidade e a razão, a intuição e o entendimento, devem ser desenvolvidas para se tornarem uma decisiva unidade, independentemente de quais destas qualidades se tornem predominantes em cada um, passará a vida se esgotando nesta redução desagradável e nunca compreenderá, porque tem tantos inimigos tenazes e porque ele mesmo às vezes também vai confrontar outros como inimigo. Assim, um homem nascido e formado para as assim chamadas ciências exatas, quando estiver no ápice de sua razão-entendimento, não compreenderá facilmente que pode haver também uma fantasia sensível exata, sem a qual a arte é impensável.”

Manifestações da essência humana, a sensibilidade e a razão são aspectos presentes tanto nas artes quanto nas ciências, sendo a ciência nesse caso a simples busca pelo conhecimento. A força de cada aspecto pode ser diferente em cada um, mas é presente sempre. Por exemplo, um artista não manifesta nem capta uma obra sem o filtro de sua razão, nem um cientista elabora nada sem manifestar sua essência, ou chega a uma boa conclusão sem se sensibilizar e captar o que seus estudos estão mostrando.

Mas há outro aspecto em comum a todas essas áreas. Há alguns dias a navegante Aimée concluiu sua postagem com a brilhante frase Happiness is only true when shared, e isso não diz apenas sobre a felicidade, o conhecimento e a arte apresentam a mesma propriedade…ou deveriam…

Claro que a construção é normalmente individual, a interpretação também, e o próprio conhecimento ganha caras científicas nas infelizes sociedades secretas gregas, que não o compartilhavam e até hoje o conhecimento é considerado uma arma. Mas podemos mesmo considerar verdadeiro uma arte isolada ou um conhecimento secreto?

Esse navegante acha que não, e esse blog, entre outros objetivos, é uma humilde tentativa de se manifestar contra isso. A arte me parece totalmente sem significado não sendo compartilhada, enquanto que o conhecimento secreto leva ao preconceito e, principalmente, ao isolamento.

Carrólatras Anônimos

•22/09/2009 • 3 Comentários

“Boa tarde, meu nome é Moana, e eu sou uma viciada”. Poderia ser um encontro dos Alcoólatras Anônimos, ou de viciados em drogas. Mas não é o caso. Estamos indo rumo a uma sociedade viciada em carros. Em breve, serão necessários encontros de Carrólatras Anônimos. Aqueles que não saem de casa se não for com o carro. Até para ir à padaria, a 2 ou 3 quadras de casa, saem de carro. E ainda reclamam que não tem uma vaga na frente e vai ter que andar meia quadra. Inclusive pessoas que vão para a academia, a algumas quadras de casa… de carro! Se furar o pneu, ou o carro está em revisão, fica trancado em casa, afinal, não tem como sair, apesar de ter um ponto de ônibus a 6 quadras e o metrô a 7.

Carrodependencia tem cura

Sim, eu era uma carrólatra! Dizem que o primeiro passo para se recuperar de um vício é reconhecendo-o. O segundo, querer parar. O terceiro é adotar as medidas necessárias para deixar o vício de lado. Atualmente, encontro-me no terceiro estágio.

Descobri que era carrólatra há alguns meses. Apesar de, por vir de uma família de urbanistas que trabalham com transporte público, sempre ter sido crítica de um modelo que priorize o automóvel particular em detrimento da mobilização da maioria, sempre pensei que o problema era “o outro”. Afinal, a culpa é sempre do “outro”, não? E como me percebi uma carrólatra? No começo do ano escrevi um artigo, a convite do meu pai, sobre os sistemas insustentáveis de transporte, pegando como exemplo a cidade de São Paulo, e comparando com outras cidades que adotaram política de restrição ao veículo particular e incentivo ao transporte público e não motorizado. Fui apresentar esse artigo em Buenos Aires, onde andei de ônibus, a pé e em bicicleta, e assisti a diversas palestras sobre transportes sustentáveis. Ficou claro, naquele momento, que o meu carro que eu usava (indiscriminadamente!) todo dia não era lá a representação de sustentabilidade! Aliás, representava o que eu criticava.

Por mais que eu tivesse conhecimento da minha situação como viciada em carro, continuei utilizando-o, me repreendendo silenciosamente, tal como um fumante que, querendo parar, se repreende a cada trago, consciente que não deveria estar fazendo-o. E foi somente há poucos meses que resolvi tomar uma decisão: passaria a deixar meu carro em casa nas tarefas do dia-a-dia. Meu carro seria um carro de passeio. Para sair à noite – já que não temos um transporte decente à noite que me deixe em casa; para viajar; para ir a locais que não são facilmente acessíveis; para quando eu estivesse realmente atrasada.

Pois bem, estou na fase de adaptação. Livrando-me do vício. Ainda utilizo o carro para algumas coisas. Recuso-me a pegar o trem no fim da tarde para chegar à faculdade, pois ele é excessivamente lotado e não sinto segurança no retorno para a minha casa. Ainda utilizo o carro para ir a alguns locais onde poderia ir de transporte, mas que demoraria muito mais tempo. Mas uma coisa eu sei: estou menos viciada. Deixar o carro em casa e andar de metrô ou de ônibus, ou mesmo a pé ou em bicicleta, não é mais uma tarefa árdua. Tem gente que me pergunta se eu quero carona, ou se estou precisando de dinheiro para colocar álcool no carro… Parece até piada para eles que eu prefira andar a pé ou de transporte público que de carro! Afinal, o carro está na garagem, com o tanque cheio, rádio, conforto, inclusive tem direção hidráulica e ar condicionado!

Pois é, é difícil abrir mão do conforto pessoal pelo bem-estar geral… Deixando de consumir altas quantidades de energia e recursos naturais, deixando de poluir a cidade com gases tóxicos e barulho, relacionando-os com o espaço que nos rodeia, diminuir o trânsito e também fazendo algum exercício a mais do que trocar de marchas. Mas afinal, não é essa uma característica de um gestor ambiental?

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Depoimento de uma carrodependente, em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro, e que deixou hoje o carro em casa e andou o dia inteiro de metrô e a pé.

Sobre o Horóscopo

•22/09/2009 • 2 Comentários

Bobagem? Talvez. Mas dessa vez escrevo para defender a utilidade que ele pode ter.

Claro que não me refiro às bobagens de previsão do futuro, ajuda-mística e tal. Digo sobre as características comportamentais inplícitas aos  signos (mapa astral na verdade), e bom, falo apenas sobre o horóscopo tradicional grego.

Sempre me fascinou o fato que tantas sociedades, e que sociedades tão distintas e distantes tenham desenvolvido a astrologia, parece que é algo implícito ao desenvolvimento da agricultura. Claro que não é, a astrologia diz muito sobre a mitologia criada ou adotada pela cultura do povo, mas há uma ligação, pois o agricultura é uma tecnologia complexa e regida por inúmeros fatores naturais, o principal deles é o clima, e sendo a agricultura a fonte de alimentação básica era crucial o desenvolvimento de técnicas para previsão do tempo. E como todos sabem (bom…todos que não os que ainda conseguem ver os céus noturnos), os astros mudam de posição durante os anos, as décadas e séculos, o que permitiu a associação de padrões entre a posição dos astros e temporadas de seca, de chuva, de florescência, de queda de folhas e etc.

Como esses povos devem ter associados os astros ao comportamento de indivíduos? Bom, eu nunca encontrei uma boa teoria para isso, mas não vejo tanta dificuldade em assimilar essas idéias quando penso na grandiosidade e impacto que um céu estrelado tem sobre mim, e da dificuldade que é entender o comportamento humano.

Os seres humanos são acostumados a criar relações de causa e efeito, enxergamos dessa forma dualística desde o desenvolvimento dos dois lados de nosso cérebro. Fazemos isso tanto que é normal associarmos um dia bom ao amuleto da sorte, o que é uma grande bobagem (mas ninguém me tira da cabeça que eu tenho uma camisa que dá muita sorte).

Se a relação entre os astros e nosso comportamento também é falsa, não faz tanta diferença porque eles acabam sim nos influenciando.

Características de comportamento estão ligadas às personalidades das pessoas, e personalidade é algo constante, algo impossível de se delimitar, é reflexo de sua história e do ambiente. Todos temos todas as características em potencial (mais sobre isso no post “A utopia do auto-conhecimento“). O que significa que podemos nos identificar com qualquer definição dada.

A questão é que todos buscamo uma identidade, então é prazeroso ver alguém falar que você é alguma coisa. A identidade pode inclusive se desenvolver em cima de aspectos negativos, muitas pessoas se veem como depressivas, comilonas e outras coisas. Eu por exemplo sou muito magro, mas como muito, e algumas vezes já aconteceu de conhecer alguém semelhanta à mesa, o que me fez comer ainda mais do que eu comeria normalmente. Claro que são batalhas inconscientes (normalmente…), mas eu precisava reforçar minha identidade. É um exemplo bobo, mas ilustra que identidade se atribui a qualquer tipo de comportamento.

Voltando ao horóscopo, mesmo quando o indivíduo não se identifica com seu horóscopo outras pessoas podem salientar as características do signo que ele faz parte, o que acaba influenciando-o. É possível também que a pessoa só apresente traços leves de seu signo, mas isso já diz alguma coisa sobre o estilo de vida que a pessoa teve até você perceber isso. E bom, mesmo quando tudo isso aconteceu e ele não tem nenhuma característica do seu signo é basicamente uma prova de negação.

Ou seja, é útil saber o signo das pessoas, pois mesmo sendo uma classificação sem muitas bases, ela tem o costume de acertar certos aspectos das pessoas, e quando ela não o faz, isso já diz algumas coisas elas.