Elitização do Metrô
Antes de qualquer coisa, chamo a atenção ao fato que argumentação a seguir é apenas uma hipótese, jamais vi algum documento ou plano de metrô que corroborasse com ela, ne verdade, nunca vi ninguém falar sobre isso.
O Metrô na cidade de São Paulo sofre de um forte aumento no número de usuários, exatamente como todo o tipo de transporte nessa cidade, que hora ou outra vai colapsar, isso é, se ainda não podemos classificar a situação como já colapsada, vide tamanho o caos que se instá-la em dias de chuva.
A demanda do metrô sofreu um impacto impressionante com a chegada do bilhete único, e a partir desse momento, vários problemas de logística surgem, e situações inéditas passam a ser enfrentadas por seus funcionários, que se dobram em dois para que o transporte não pare.
Verdade seja dita, mesmo com todos os problemas, nosso metrô ainda é referência para muitas cidades do mundo, e é, de longe, o transporte público mais eficiente do país. Mas as pressões que recebem são grandes,mas já é difícil organizar as que se tem, e a cidade cobra sua expansão o tempo todo.
Temos então uma situação muito complicada, pois diferentemente de outros transportes não há muito que se fazer no metrô, o possível aumento no número de trens é limitado, o aumento na velocidade dos mesmos também, e os passageiros só aumentam e aumentam.
Parece-me que a resposta encontrada foi a de elitizar esse transporte, mas a partir do que eu argumento isso? Bom, parto de algumas observações empíricas para tal. A principal é o aumento do preço das passagens. Não faz muitos anos que o preço do metrô era ilusório, R$1,00, 1,50, só que hoje estamos a R$2,55, e no final do ano estaremos a R$2,80, e no ano seguinte o aumento será ainda pior com a inauguração das novas estações. Acredito que a intenção do metrô seja, de forma gradual, elitizar o transporte para que uma faixa menor da população possa usufruí-lo em seu dia-a-dia.
Outro possível e provável argumento que será utilizado para o aumento dos preços será a modernização dos trens, agora com ar-condicionado, piso sofisticado, localização interativa, assentos especiais para obesos, portas maiores e sei lá mais o que. Além do já comum gasto irracional com luxos nas estações, como os pisos de granito (pra que…?).
Claro que jamais deixaremos de encontrar todas as classes sociais nos vagões, mas a proporção de pessoas de renda baixa que usará o transporte todos os dias só tende a diminuir, sendo empurradas aos ônibus e trens, que com suas promoções de integração gratuita, e aumento de preço menor que o do metrô, tende a atrair um contingente cada vez maior.
Outro fator que parece vir a corroborar com minha hipótese é a localização das estações, principalmente das novas, observem que a grande maioria se dá em bairros nobres ou de classe média. E as novas linhas então, precisa dizer mais? Certamente elas não foram escolhidas por ter um fluxo potencial maior de usuários. Para os que não são da cidade explico que como em quase toda metrópole a maior parte da população aqui se encontra nas regiões periféricas, e o metrô expande-se principalmente para a região oeste da capital, aos bairros mais nobres.
Algumas estações já existentes, principalmente na linha vermelha, podem parecer contraditórias a uma idéia de elitizar o metrô, pois elas se encontram em regiões de baixa renda, mas num exercício de futurismo não podemos esquecer que a presença do metrô tende a valorizar e transformar a região, sendo sua presença e expansão um dos principais mecanismos de ordenação no território da cidade.
Concluo o texto com um ultimo argumento, o mais banal também, defendo que o metrô pretende se elitizar, pois essa é uma das poucas e mais plausíveis respostas que este pode oferecer aos seus problemas atuais, que só tendem a piorar por sinal.


Gui, muito boa sua análise. Percuciente, vai direto ao ponto.
Presumo que sua hipótese de referência não está equivocada.
os argumentos contra sua hipótese seriam a propaganda da expansão da CPTM e do Metrô a conferir a partir do ano que vem.
Mas nós já vivemos essa saturação…a princípio sem uma solução coerente a curto prazo.