Os Estágios da Morte de Kübler-Ross

Já faz algum tempo desde que nós, navegantes, atracamos em ilhas isoladas e por lá ficamos sem mais compartilhar e buscar novos conhecimentos. Mas hora ou outra essa pausa haveria de acabar, como acaba hoje, e uma vez mais navegaremos em Iapetus, o oceano único e absoluto.

Frente a tantos desastres neste fim de 2009 e começo de 2010 recomeço nossa jornada falando um pouco sobre estados psicológicos em situações de morte.

Muitos devem conhecer, ou no mínimo já ouviram falar, dos 5 estágios da morte de Kubler-Ross, um modelo sintético, muito discutido, mas muito útil também,  que aborda 5 fases as quais aqueles que teem contato com a morte transcorrem.

O modelo é da psiquiatra Suíça Elizabeth Kubler-Ross (1926-2004), autora do livro On Death ond Dying onde apresentou o agora conhecido modelo sobre o luto.

Os estágios se manifestam no luto, na clareza da própria morte, ou em um desastre vivenciado. Alguns psicólogos e psiquiatras veem os estágios de Kubler-Ross, em maior ou menor grau, em praticamente qualquer notícia chocante e atormentadora pela qual o indivíduo se defronte.

Os 5 estágios são:

  1. Negação
  2. Raiva
  3. Barganha (essa se manifesta muitas vezes na religiosidade do indivíduo)
  4. Depressão
  5. Aceitação

O tempo o qual cada um permanece em cada estágio varia bastante, mas observa-se (como aprendi nos livro de Irvin D Yalom), que a maneira com que a pessoa lidou com a outra em vida (no caso do luto) é peça chave nesse processo. Viúvos/as que tiveram casamentos felizes tendem a passar pelos 5 estágios mais rapidamente do que aqueles com casamentos complicados e infelizes. Por quê isso se dá, eu imagino, varie bastante, mas de certa forma podemos supor que boa parcela desse processo inconsciente se de no fato de que em relacionamentos não tão bem sucedidos há uma sensação de perda maior, pois, não só a esperança, de que um dia o relacionamento do casal vá melhorar, acaba (sentimento muito ligado ao arrependimento da não execução de certas atividades com o falecido), mas também, o indivíduo associa como tempo perdido o período e a energia gasta para que o relacionamente voltasse a ser bom e proveitoso (ou mesmo que ele para que ele fique assim pela primeira vez).

E por favor, não confundam esse tipo de processo psicológico complexo, com coisas como “o segredo” e o universo conspirando para que pessoas felizes tenham mais facilidade dos que as infelizes.

Obviamente que o modelo é apenas uma teoria, muitas vezes classificado como simplista, e é totalmente plausível que o luto se manifeste de uma maneira “X” a qual essa teoria apenas deturpe o olhar do analista, ainda assim, seu generalismo, e a ordem de seu processo são bem interessantes e podem ser de grande ajuda às pessoas que tentam ajudar alguém que se encontra em algum dos estágios.

~ por Gaudereto em 01/03/2010.

2 Respostas to “Os Estágios da Morte de Kübler-Ross”

  1. Muito bom o post, Guilherme. Sou fã desta doutora há muito tempo. Dr. Brian Weiss a cita em todas as suas obras, em especial, os estudos )pós?Pré) morte que ela realizou ao longo de sua carreira acadêmica.Recordo do livro “Vida após a Vida”, Raymond Mond (não me recordo do sobrenome correto) que baseou suas conclusões nos estudos dela e em mais de 150 casos de pessoas que “morreram” por alguns segundos, e seus relatos pós-mortens. Uma leitura muiiiiiittooooo interessante.
    Obrigada!

  2. gostei bastante do tema, e acho sim bem fácil enxergar os 5 estágios em muitas situações vivenciadas, e particularmiente acho bem interessante poder indentificar os estágios em sí próprio.

    quanto ao luto fruto de um casamento infeliz acredito que pese mais o sentimento de culpa. É um tanto frequente nesses casos o falecido ser “santificado” pela parte que ainda vive, na qual esta atribui boa parte dos fracassos do relacionamento à sí próprio, argumentando ainda que poderia ter feito algo pra melhorar a situação.

    mas essa é só uma opinião de alguém que não entende muito mas porém se interessa pelo assunto.

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