As Chuvas no Rio de Janeiro e a Educação Ambiental
A tragédia aconteceu, uma chuva histórica caiu sobre o Rio de Janeiro, e levou ao colapso vários alicerces urbanos e sociais. Nunca se havia registrado uma chuva tão intensa no Rio de Janeiro, mas ela não era imprevisível, como não o são futuras chuvas de alta intensidade na mesma região e em muitas outras áreas de risco espalhadas pelo Brasil, tais como o litoral santista, certas regiões de Minas Gerais e as já famosas regiões de Angra dos Reis e do vale do Itajaí em Santa Catarina (2008).
Tamanha previsibilidade se dá exatamente por conta da imprevisibilidade das precipitações pluviométricas, que apresentam grande variação em sua concentração e em sua quantidade. O contexto que permitiu tamanho desastre acontecesse é complexo e elaborado, não pretendo, nem tenho condições de descrevê-lo aqui ou em qualquer ou lugar. Mas venho aos navegantes destacar a oportunidade que se fez com a tragédia.
Com o grande envolvimento da mídia, boa parte da população se sentiu envolvida ao drama carioca, e essa relação de identidade deve ser explorada em campanhas de educação ambiental. Pois, por mais que se argumente que a culpa é dos governantes e planejadores, o fato é que estes refletem as pressões exercidas por seus cidadãos, além de que eles se inserem nesse contexto de pressão por mudanças (se não hoje algum dia no passado).
A elaboração de laços de identidade entre o indivíduo e o meio ambiente é o principal objetivo da educação ambiental, pois ao criar relações entre o meio e o sujeito, a partir de premissas de igualdade e compreensão de seus ciclos, este se harmoniza (na medida do possível) ao complexo sistema natural e artificial em que está inserido, além de tornar-se um ator importante da E.A. pois se torna um multiplicador de seus fundamentos. Isso se dá porque além da influência direta que o indivíduo tem com as pessoas próximas, há também a influência indireta àquelas que simplesmente sentem as mudanças de hábitos do dito-cujo.
Tamanha tragédia talvez atraia grandes do setor de comunicações a abordarem os temas de maneira mais efetiva à absorção popular, como sua abordagem em novelas, filmes e programas de grande apelo. O que não compreendo por sinal, um desastre como o do rio é um piloto ou clímax perfeito a uma novela ou filme, como nunca foi abordado?
Para concluir o texto destaco novamente o papel de agente-multiplicador que cada um de nós temos, pois, mesmo sendo um conceito simples o de que nossas ações impactam os que estão ao nosso redor (mesmo que bem lentamente), ele é muito difícil de ser assimilado.

