Vacinação

Muito vem sendo falado sobre a campanha de vacinação contra o vírus H1N1, e é impressionante quanta bobagem falou-se em tão pouco tempo. São recorrentes as teorias conspiratórias sobre a vacina, sendo no mínimo 4 delas muito diferentes e independentes entre si.

É verdade que a indústria farmacêutica não é “flor que se cheire” (visto seu histórico comprometedor), mas é preciso ter senso crítico sobre o que chega aos nossos ouvidos, principalmente a respeito dessas teorias sem fonte alguma. A intenção do texto então é trazer uma informação muito importante a ser considerada ao se recusar tomar alguma vacina.

Em epidemiologia o “fenômeno do Iceberg” é um dos conceitos principais, que consiste no fato de que coletivamente sabemos muito pouco sobre uma doença, pois o número de pessoas diagnosticadas positivamente (doentes) é sempre muito menor do que o real número de infectados. Isso se dá em virtude de diagnósticos incorretos ou não realizados, e, principalmente, em razão dos infectados assintomáticos, que são aqueles que, por razões ligadas ao funcionamento de seu sistema imunológico, não manifestam os sintomas da doença.

Isso é ótimo para o indivíduo, pois significa que ele foi infectado, não manifestou sintomas e, em muitos casos, imunizou-se ao agente infeccioso. Mas coletivamente isso é um fato preocupante, pois apesar de não manifestar sintomas o indivíduo ainda pode ser portador do vírus e, portanto transmissor da doença. Sim, uma pessoa saudável pode ser transmissora de gripe suína, e é exatamente isso o que acontece em muitos casos.

Significa que os muitos jovens que deixam de se vacinar (para o que for), apresentam uma considerável chance de nunca manifestarem nenhum sintoma, afinal contam com o mais forte sistema imunológico da espécie. Mas são potenciais riscos às outras pessoas, principalmente àquelas com sistemas imunológicos mais sensíveis, como idosos e crianças.

Há pouco mais de um século a população mostrou resistência a uma vacina que conteria a epidemia de varíola no Rio de Janeiro. Resistência essa conhecida como “Revolta da Vacina”, que, obviamente foi decorrente de um contexto, pois a vacinação era compulsória, ou seja, as pessoas se deparavam com militares entrando em suas casas e obrigando a vacinação sem nenhuma explicação sobre a importância dessa medida preventiva. Mas diferentemente do passado, hoje há informação para a população!

A vacina passou por todos os testes pelos quais deveria e já mostrou sua eficiência na Europa, que na ausência da vacina já deveria estar em estado de epidemia. A intenção da vacina é proteger a população como um todo, portanto esses discursos de pessoas que simplesmente opinam contra algo sem ter argumentação coerente são totalmente infundados e infelizmente atrapalham o sucesso da campanha. Alguns indivíduos manifestaram efeitos colaterais, mas que são perfeitamente normais. Acredito que valha a pena arriscar-se a talvez desenvolver uma febre ou uma dorzinha (no diminutivo mesmo, porque da gripe mesmo é muito pior) por um ou dois dias, para evitar uma epidemia que nos assombre por um inverno inteiro. Então, não quer vacinar, muito bem, esse é um direito individual, mas não se esqueça que a sua decisão não deve considerar apenas a sua própria saúde, mas o de todas as pessoas, queridas ou não, que estão a sua volta.

~ por Gaudereto em 05/05/2010.

5 Respostas to “Vacinação”

  1. Tomei duas doses desta vacina. A primeira na USP, antes do inverno, e a segunda, no trabalho, quando recebi uma vacina com três vacinas: duas vacinas da gripe comum e a H1N1.
    Não aconteceu nada e ainda estou aqui, firme e meio forte…esse semestre foi pior que a vacina…rs
    Gostei da conclusão do artigo: temos que amplificar um pouco mais nossos pensamentos e escolhas. Que é direito individual todo mundo sabe, se negar a receber a dose, porém, há uma questão de saúde pública que não pode ser desconsiderada pela população. Ninguém vai querer ficar perto de alguém gripado, seja a comum ou não….
    Mas, só para botar um reparo: pararam de falar na gripe, não é?!
    Será que a indústria farmacêutica atingiu seus objetivos? ($$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$.)
    bjs
    Mônica.

  2. eu serei um super problema de infecção… essa vacina é má! hahaha

  3. Eu nao sei nada sobre o caso da Polônia..
    Eu me vacinei bem vacinado.. Só não gostei da mulher ja chegar me picando sem nem me pagar uma pizza..
    E postei bem postado.. Só não gostei de voce rir de minhas teorias..

  4. A nossa geração não tem anticorpos pra essa gripe e a vacinação é um método simples de conseguirmos imunização, não só por nós mesmos, mas pela população como um todo. É importante pensar que não somos testes! As vacinas passam por um controle de qualidade e por vários métodos antes de chegar aos humanos.

    Minha opinião de bióloga… que seria bem maior, mas eu dei um resumida

  5. Mi, eu já estou devidamente vacinada, viu…não serei problema de saúde pública, como vc disse!

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